“Sou doido por criança”, diz Almir do Picolé

almir sorrisoalmir no semáforoAlmir do Picolé bem que poderia ser conhecido como Almir Sorriso. Esse sujeito de coração enorme e de riso fácil tem 47 anos e mais da metade disso dedicados a ações sociais. A creche Ação Solidária Almir do Picolé, na Piabeta, no município de Nossa Senhora do Socorro, é uma delas.

Inaugurada em 15 de fevereiro de 2003, a creche é mantida por meio de doações (ver quadro “Para ajudar” na página ao lado) e das contribuições que Almir arrecada diariamente nos semáforos de Aracaju. As canetas e os panfletos que entrega a quem se dispõe a abrir o vidro do carro, são entregues por Almir, independentemente de receber, ou não, alguma doação. É a forma que encontrou para disseminar o trabalho que desenvolve na creche e na comunidade.

Atualmente, a creche está com 86 crianças de seis meses a cinco anos. Funciona de segunda a sexta-feira, das 6h40 às 17h, a custo zero para as mães. Vinte e três funcionários (todos com carteira assinada) trabalham no cuidado com as crianças e no serviço de telemarketing, tudo sob o olhar atento de Almir que fica com a responsabilidade da contabilidade e do estoque de alimentos e produtos necessários ao desempenho da creche. “Preciso ter todos os encargos pagos certinho, senão a creche não recebe as doações que chegam do Poder Judiciário”, disse ao mostrar uma dessas aquisições, o automóvel que usa para o dia a dia da creche.

Superação – Almir do Picolé tem muitas histórias de superação: ele tem baixa visão, foi abandonado aos quatro anos de idade, juntamente com a irmã, e só conheceu os pais já adulto, depois de se tornar conhecido em rede nacional.

“Depois que apareci no Fantástico, um irmão me ligou e disse que eu tinha cinco irmãos e que eles e minha mãe moravam em São Paulo. Fiquei doidinho pra conhecer. Minha mãe não queria me abandonar. Ela é uma boa pessoa e a gente sempre se fala”, contou. Já o pai,  Almir foi resgatá-lo. Morava no conjunto Fernando Collor, a cerca de sete quilômetros da creche, e estava muito doente. Pai e filho conviveram sob o mesmo teto até 2006, quando ele morreu.

Picolé – O apelido Almir do Picolé foi dado logo depois de deixar o antigo orfanato, aos 17 anos. Ele vendia picolés para se manter num quarto em que morava no bairro Siqueira Campos, e para comprar brinquedos para dar no Dia das Crianças. “Sou doido por criança”, disse Almir do Picolé, Amir Solidário ou Almir Sorriso.