Agressão a professores é resultado de valores distorcidos

No lugar de lápis e caderno, ofensas e palavras de ódio. No lugar de estudantes, crianças e jovens violentos e desrespeitosos. O cenário das salas de aula no Brasil demonstra a situação calamitosa enfrentada diariamente por professores e servidores da educação. O exemplo mais recente é o da educadora de Santa Catarina, que na última semana foi agredida fisicamente por um aluno de 15 anos. Para a psicóloga e especialista em saúde mental da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), Vanessa Troleiz, a distorção de valores sociais é um dos fatores que gera a violência em ambiente escolar.

“Quando a gente fala de respeito, a gente fala de valores. E hoje estamos vivendo numa sociedade em que os valores estão completamente distorcidos. Isso acontece não só dentro da escola, não só relação aluno e professor, isso está perpassando por toda a nossa sociedade. Então assim, a questão dos valores, a escola precisa reforçar sim, mas ela não é o espaço onde a gente espera que esses valores vão ser inseridos”.

O presidente da Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Roberto Dornas, considera que é preciso lidar com esses casos de maneira séria, mas ressalta que a família também tem uma parcela de responsabilidade.

“Lamentavelmente o que está acontecendo aí é que a criança e o jovem de hoje, aí cabe muito à família, não sabe respeitar a ninguém, querem a sua própria vontade. Isso só se resolve no dia em que a família, em vez de abrir mão da educação do filho, cuidar da educação do filho”.

De acordo com pesquisa divulgada em março deste ano pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana. Os números são tão alarmantes que colocam o país no topo do ranking de violência em escolas, levando em conta 34 economias avançadas ou emergentes.